Guitarra

Substantivo de uma guitarra refere-se a uma variedade de instrumentos de cordas dedilhada, o que é normalmente de 6 a 12 cordas tensionadas ao longo do instrumento e o corpo, em formato de 8 (embora também estão disponíveis em uma variedade de outros formatos), além de um braço, sobre o qual as cordas passam, permitindo o controle da altura da nota produzida. Existem versões acústicas, que é uma caixa de ressonância, e de energia elétrica, que pode ou não ter uma caixa de ressonância (ver: oca-corpo da guitarra), mas utilizam captadores e amplificadores para aumentar a intensidade sonora do instrumento

É de guitarra, bem como a maior parte dos instrumentos de cordas, é construído com o luthier. O músico, que a executa é chamado guitarrista.

Terminologia

Etimologia

A palavra guitarra tem sua origem mais imediata no termo qitara  da língua árabe falada na Andaluzia antes da Reconquista, derivado por sua vez do latim cithara (“cítara”). A palavra latina descende diretamente do vocábulo grego κιϑάρα (“kithára”)

Uso no Brasil

violão

Guitarra clássica (no Brasil, denominada violão)

No brasil, o termo guitarra refere-se apenas à guitarra elétrica e a palavra “violão” é usada para se referir tanto à guitarra clássica, guitarra acústica, esta segunda com corda de “nylon” ou mesmo para cordas de aço, como no caso do povo de guitarra, ou violão .Os dois últimos são os mais comumente utilizados por artistas do gênero popular, apesar de o violão  de nylon preferido pela maioria dos guitarristas, clássica e seguidores de choro, samba, bossa nova, MPB, machado e estilos musicais regionais.

Uso em Cabo Verde

Em Cabo Verde, a guitarra clássica também é chamada de violão pelos músicos locais. Esse termo era comum em Portugal até começo do século XX. Os tocadores da época  distinguem, assim, das guitarras de cordas de aço que são chamadas por eles de viola. No entanto, o público e os leigos preferem chamar a guitarra de viola (como em Portugal).

Uso em Portugal

Em Portugal, o termo mais comum usado atualmente é guitarra, tanto para amantes da música acústicas como para as eléctricas. Mesmo assim, o termo usado “viola” ainda é muito usado, embora não seja o correto. As mais antigas violas ganharam nomes mais específicos conforme cada caso.

A viola

Em alguns países de língua portuguesa, a guitarra pode significar  qualquer das variedades da guitarra, seja ela elétrica ou acústica. No Brasil e em Cabo Verde existe o termo violão para o  instrumento acústico com cordas de nylon. É bem provável que o termo violão tenha aparecido devido à semelhança com as violas em seu formato. Como a guitarra era um pouco diferente e maior, passou a ser chamada popularmente por “violão” (como aumentativo de “viola”). Aos poucos o nome se consagrou no Brasil, e o palavra  guitarra foi quase totalmente substituído. Apenas no século XX o termo guitarra voltou ao vocabulário brasileiros, mas apenas para designar a guitarra elétrica.

Família das guitarras

O termo “guitarra” também é utilizado para se referir aos instrumentos com algumas particularidade, embora nem sempre com a mesma acepção.A família das guitarras reúne qualquer cordofone com braço e caixa de ressonância cujas cordas são beliscadas. Isso inclui instrumentos como:

  • O alaúde,
  • A balalaica,
  • O bandolim,
  • O banjo,
  • A guitarra portuguesa,
  • siamise,
  • sitar,
  • vina etc.

Instrumentos de cordas beliscadas

Alguns autores preferem consideram como família das guitarras’ os ‘instrumentos de cordas beliscadas que têm a caixa em forma de “8”. Isso inclui instrumentos  como:

  • O cavaquinho,
  • charango,
  • cuatro,

e os tres da América Latina,

  • ukulele,
  • A viola caipira e
  • As violas portuguesas.

Origens e desenvolvimento

violão antigo

Alaúde mourisco, com seis pares de cordas.

Instrumentos parecidos aos que hoje chamamos de guitarras existem ao menos há 5 mil anos. A guitarra parece descender de outros instrumentos existentes anteriormente na Ásia Central. Instrumentos muito parecidos com à guitarra aparecem em antigos alto-relevos e estátuas descobertas em Susa, na Pérsia(atualmente no Irã).

A guitarra, tem o formato muito parecido à guitarra acústica atual, foi constituída na Espanha no Século IX, mas não se conhece exatamente toda a história deste instrumento. No entanto há duas hipóteses mais prováveis para a inserção da guitarra no ocidente.

A primeira hipótese é que a guitarra seria decorrente da chamada kithára grega, que com o domínio do Império Romano passou a se chamar cítara romana, e era também batizada de fidícula. Chegou na Península Ibérica por volta do século I junto com os romanos. Esse instrumento lembrava muito à lira e após isso foram acontecendo as seguintes modificações: os  braços que era  como da lira foram se unindo, formando uma caixa acústica, à qual foi adicionado um braço de três cravelhas e três cordas, e foi criado divisões transversais (trastes).

A segunda hipótese é de que a guitarra seria decorrente do antigo alaúde árabe, nome originado da palavra al ud, (a madeira), e que foi levado para a Península Ibérica através das invasões muçulmanas. O alaúde árabe que entrou na Península nessa época foi um instrumento que se adaptou exatamente às atividades culturais e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da corte.

Outra idéia é de que foram acrescentadas as técnicas do alaúde (cordas beliscadas, número de cordas, afinação, etc.) a instrumentos de corda friccionada (nessa altura chamadas “violas”). Isso explicaria o fato de em espanhol ter havido a distinção entre vihuela de arco (viola tocada com um arco) e vihuela de mano (viola tocada com a mão).

Desenvolvimentos posteriores

viola

vihuela espanhola parece ser um instrumento intermediário entre o alaúde e a guitarra moderna, ela dispõe de afinação parecido ao alaúde, mas o corpo já tinha o formato em 8 semelhante, mas um pouco menor, que as guitarras atuais. No entanto não é certo se esta era  mesmo uma forma de transição ou apenas um instrumento que juntava características dos dois instrumentos. Em prol da segunda hipótese, justifica-se que a remodelagem da vihuela para ficar parecida com a guitarra foi uma forma de modificar  visualmente o instrumento ocidental do alaúde árabe relacionado aos invasores. Esta variedade teve algumas alterações em Portugal e deu origem às violas modernas de hoje.

Durante alguns séculos de história a guitarra acústica foi ganhando diversas variedades. Existiram grandes variações em todas as características dos instrumentos como:

O tamanho e o formato da caixa de ressonância, o formato e a quantidade de aberturas frontais, o comprimento do braço, a quantidade das cordas, a extensão e a forma de afinação. Algumas variedades se desenvolveram separadamente e se tornaram outros instrumentos específicos.

Além disso exixtiram algumas variedades que são frequentemente ligadas ao género musical em que eram usadas, como as guitarras de blues, folk, jazz e a guitarra clássica. Embora sejam sobre tudo o mesmo instrumento, a variedade utilizada no flamenco, por exemplo, é diferente daquela utilizada na música clássica.

Segundo Paco de Lucía, o inventor da guitarra tal como a conhecemos se chama Zyryab. Nascido em Bagdá, ele viveu no fim do século VIII na corte de Córdoba. Ele adicionou uma quinta corda ao ‘ud árabe e criou uma escola de música que exerceu influência considerável sobre a música árabe-andaluz.

Foi Antonio de Torres, um luthier espanhol do século XIX que deu à guitarra a forma e as dimensões da guitarra clássica atual, a partir disso, surgiram outras diversas variedades  século XX (como a guitarra de jazz, a guitarra folk e a elétrica).

A guitarra elétrica surgiu, independentemente, pela mão de diversas pessoas nos anos 30. Inicialmente a eletrificação consistia em usar o próprio instrumento acústico com um microfone de voz dentro de sua caixa de ressonância. Tempo depois esse microfone foi substituído pelo microfone de contato chamado captador ou, em inglês pickup.

Por nem sempre ser necessária uma caixa de ressonância acústica numa guitarra eléctrica, surgiram as primeiras guitarras maciças (Fender Stratocaster e Gibson Les Paul) nas décadas de 1950 e 60. As cordas passaram a ser metálicas e captadores magnéticos de indução começaram a ser utilizados nesses modelos de instrumentos.

Estrutura da guitarra

Toda guitarra, elétrica ou acústica, é composta basicamente das mesmas partes. A maior diferença entre elas está na forma do corpo. As figuras abaixo mostram uma guitarra elétrica e uma acústica, com suas partes indicadas. A construção do baixo é muito parecido com à da guitarra elétrica.

Partes de uma guitarra elétrica.
  1. Cabeça, mão ou paleta.
  2. Pestana
  3. Cravelhas ou Tarraxas
  4. Trastes
  5. Tirante ou Tensor
  6. Marcação
  7. Braço
  8. Tróculo (Junta do braço)
  9. Corpo
  10. Captadores
  11. Potenciômetros
  12. Cavalete (ou ponte)
  13. Protetor de tampo (ou escudo)
  14. Fundo
  15. Tampo
  16. Lateral ou faixas
  17. Abertura ou boca
  18. Cordas
  19. Rastilho
  20. Escala
Partes de uma guitarra acústica.

Braço

braço da guitarra é constituído basicamente por uma barra maciça e rígida de madeira afixada ao corpo. A madeira mais utilizada normalmente é de um tipo diferente da utilizada no corpo. Madeiras com uma grande resistência à tração são as preferidas e uma das mais utilizadas é o mogno. Ela é responsável pela fixação de uma das extremidades das cordas e também para permitir a execução das notas através da variação do comprimento das cordas. Composição do braço: a “mão”, a pestana, a escala, os trastes e alguns elementos decorativos (geralmente de madrepérola, marfim ou ébano) utilizados na marcação.

Nas guitarras acústicas e semi acústicas, o braço é colado ao corpo. O tróculo é a extremidade mais larga do braço usada para fixá-lo ao corpo e dar mais rigidez mecânica à toda montagem. Em geral o tróculo é feito na mesma peça do braço, mas também pode ser uma parte separada e colada ao braço e ao corpo. Nas guitarras elétricas, o braço pode ser preso ao corpo por parafusos. Em alguns modelos, um tirante é utilizado para se opor à curvatura provocada pela tensão das cordas. A fixação do braço é crítica para a afinação do instrumento, pois a variação no ângulo do braço em relação ao corpo pode causar variações na altura das notas. Apesar de que indesejável na guitarra clássica, este efeito pode ser usado propositadamente para obter certas inflexões na altura (bends), sobretudo no blues.

Cabeça e tarraxas

cabeça e tarrachas

A cabeça de uma guitarra elétrica com seis tarraxas em linha.

A cabeça ou paleta é responsável pela fixação das tarraxas, usadas para afinar o instrumento. A cabeça é presa na extremidade do braço formando um pequeno ângulo para facilitar o posicionamento das cordas sobre a pestana. A tarraxa é um mecanismo constituído de um eixo sobre o qual a corda é enrolada e uma engrenagem que permite girá-lo com até obter a tensão correta de cada corda. Essas engrenagens garantem uma relação de forças tal que impeça o afrouxamento das cordas durante a execução do instrumento.

Na maior parte das guitarras há três tarraxas de cada lado da cabeça. Em algumas guitarras elétricas é utilizada a configuração de seis cravelhas em linha em um dos lados da cabeça. Algumas outras configurações são possíveis também como por exemplo: 4+2, 4+3 em violões de 7 cordas. 6+6 em violas de 12 cordas e 2+2 ou 4 em linha para baixos e outros instrumentos de quatro cordas.

Pestana

A pestana é uma pequena barra de osso, plástico ou madrepérola, Afixada entre o início do braço e a cabeça. Tem um pequeno sulco entalhado para a passagem de cada corda. Isso permite o posicionamento exato das cordas. A pestana serve para apoiar as cordas na extremidade do braço. É o ponto de origem do comprimento das cordas e muitos o consideram como o traste zero. Em alguns modelos de guitarras elétricas, há pestanas especiais que possuem travas, como parafusos, que impedem que o instrumento seja desafinado na execução de alavancadas (vibratos artificiais).

Escala

escala e traste

Dois exemplos de escalas, com os trastes e as marcas incrustadas.

Os trastes são feitos de uma madeira diferente do resto do braço, como ébano, a escala é a parte do instrumento onde as cordas são apoiadas quando o músico quer dividir a corda. É sobre a escala que os trastes são montados. Além disso possui algumas marcas em forma de círculo, losangos ou triângulos, incrustadas por marchetaria. Essas marcas são geralmente de madrepérola, marfim ou ébano. Em alguns casos são simplesmente pintadas e servem para ajudar o músico a identificar as casas na escala. Geralmente é usada uma marca na 3ª, 5ª, 7ª, 9ª,12ª, 15ª, 17ª, 19ª,21ª e 24ª casas e duas marcas na 12ª, às vezes na 7ª e na 24ª (quando existente) casas. Em algumas guitarras elétricas estas marcas podem ser luminosas, com LEDs ou fibras ópticas.

Alavanca

Essa parte da guitarra é usada para criar um efeito chamado vibrato. Este efeito consiste em alterar a altura das notas de forma que elas transpassem a ideia de uma onda fluindo. Este efeito é muito utilizado em alguns ritmo agitados, porém é principalmente usado em ritmo de rock.

Trastes

Os trastes ou trastos são pequenas barras (geralmente alpaca ou ligas de níquel) montadas sobre a escala e que marcam os pontos exatos em que a corda deverá ser dividida para conseguir cada uma das notas. Quando o músico encosta o dedo sobre uma corda ela pousa sobre a escala e fica apoiada sobre o traste. O comprimento vibrante da corda passa a ser aquele entre o traste e o rastilho.

Os trastes são montados nos instrumentos modernos para permitir que as guitarras tenham estrutura igual. Consequentemente a razão entre as distâncias de dois trastes consecutivos é {\displaystyle {\sqrt[{12}]{2}}}, cujo valor numérico é aproximadamente 1,059463. Como essa razão é aplicada continuamnete a cada intervalo, isso explica porque as casas próximas à pestana são mais largas que aquelas próximas ao corpo do instrumento. O 12º traste divide a corda exatamente na metade e o 24º (se existente) divide a corda em um quarto do comprimento total (entre a pestana e o rastilho). Cada doze trastes representam um intervalo de exatamente uma oitava.

A distância entre o rastilho e o nésimo traste, ou seja o comprimento vibrante da corda quando a corda pousa sobre o traste n é dada pela fórmula:

{\displaystyle l=d\cdot 2^{-n \over 12}}

onde d é o diapasão da corda (comprimento total da corda entre o rastilho e a pestana).

Corpo

Guitarra acústica

Na guitarra acústica e também em algumas variedades semi acústicas, o corpo tem as funcionalidades de caixa de ressonância e de fixação das cordas. O corpo é uma caixa oca feita de diversas madeiras. Em geral tem uma abertura (chamada boca) na parte superior, e é necessária para amplificar o som das cordas e permitir a vibração do ar. Abaixo da boca é colado o cavalete, usado para fixar as cordas ao corpo. O cavalete tem furos para a fixação das cordas. Sobre o cavalete, é montado o rastilho, uma barra de madrepérola, osso ou plástico que serve para distanciar as cordas do corpo e da escala. Nas guitarras de flamenco, usadas no flamenco, um protetor de tampo é montado na parte do tampo abaixo da boca para que o músico possa realizar sons percussivos com os dedos. Alguns elementos decorativos estão presentes no corpo, como por exemplo mosaicos ou frisos de cores diferentes. Alguns instrumentos populares podem ainda ser pintados em diversas cores.

Guitarra elétrica

Na guitarra elétrica e no baixo, o corpo é uma peça maciça de madeira, geralmente maciça ou nos modelos mais populares, madeira laminada, pois isso fornece instrumentos leves e muito mais  rígidos, além de terem uma sonoridade melhor. As madeiras brasileiras mais comuns são o cedro, mogno, marfim, cacheta ou freixo. Em outros países são usadas madeiras como ash, alder, basswood, jacarandá, ébano ou bordo entre outras. No geral estes instrumentos são revestidos por finas lâminas de madeiras mais nobres ou pintados, muitas vezes com motivos bastante elaborados e multicoloridos. O corpo é geralmente entalhado ou escavado para que possa permitir a montagem dos equipamentos eletrônicos, da Ponte(cavalete) e outros equipamentos. Um protetor de tampo, chamado guarda unhas pode ser adcionado para proteger o corpo do atrito com a palheta.

Encordoamento

O som da guitarra é produzido pela vibração das cordas, que  devem ser tensionadas e montadas de forma que possam vibrar livremente sem bater ou encostar em nenhuma outra parte do instrumento. As cordas dos alaúdes e das guitarras mais antigas eram feitas de tripa (intestinos) de ovelhas cortadas em espessuras muito finas e torcidas. hoje em dia elas são feitas de nylon ou de aço. As cordas mais finas, são usadas para as notas mais agudas, são constituídas de um fio único. E as mais grossas, na verdade, são cabos constituídos de uma alma (que pode ser de nylon, de aço ou de seda) envolta por uma espiral de um fio mais fino feito de aço. Esta construção permite maior resistência à tração, maior estabilidade de afinação e maior flexibilidade do que seria possível caso se usassem fios singelos também nas cordas mais grossas.

guitarra eletrica

Guitarra elétrica, que usa cordas de aço.

Cordas de aço geralmente dispõem de uma pequena esfera fortemente fixada a uma de suas extremidades para facilitar a fixação no instrumento. As cordas são fixadas aos furos existentes no cavalete através de um nó ou pela esfera, que são mais larga que o furo não consegue passar por ele, prendendo a corda. Em alguns modelos de guitarras ou baixos as cordas passam por furos através do corpo do instrumento e são fixadas na parte posterior do corpo. O rastilho é uma barra feita de osso ou plástico que é apoiada sobre o cavalete e sobre a qual as cordas são assentadas.

A altura do rastilho é muito importante para determinar a distância entre as cordas e a escala. O ajuste da altura é importante pois a afinação do instrumento pode ter variações se a distância das cordas for muito grande. Por outro lado, cordas muito próximas da escala podem encostar nos trastes ao vibrar, o que produz um ruído desagradável (trastejamento). A outra extremidade da corda passa sobre a pestana, depois disso é enrolada em espiral sobre o eixo das tarraxas.

Como a ponte e a pestana são mais altas que o braço e o corpo do instrumento, as cordas ficam estendidas e tensionadas entre essas duas peças e podem vibrar livremente quando dedilhadas ou tangidas por uma palheta. Geralmente as guitarras são construídas para serem tocadas com o braço na mão esquerda e o corpo na direita. Nesta posição, os sulcos da pestana são dispostos de forma que a corda mais grossa fique em cima e as mais finas embaixo.

O rastilho ou ponte também não são simétricos. A distância entre as cordas e o corpo é maior para as cordas graves do que para as mais finas. Isso é necessário para evitar o trastejamento dos bordões, mas provoca alguns problemas de afinação. Quando a corda é pousada sobre a escala ela é esticada. O aumento na tensão aumenta ligeiramente a afinação da nota.

Ainda que muito tênue esse efeito pode causar desafinações em alguns acordes. Para compensar esse problema, o cavalete é colado levemente inclinado. Assim, as cordas mais grossas (as que sofrerão maior tensionamento durante a execução) são ligeiramente mais longas que as mais agudas. Toda a montagem desses componentes é crítica e permite diferenciar a qualidade dos instrumentos feitos por diferentes luthiers.

Todas essas assimetrias obrigam a construção de versões diferentes de instrumentos para destros e canhotos. Muitos guitarristas e violonistas, no entanto adaptam o instrumento para a execução invertida. Alguns músicos simplesmente viram o instrumento e tocam com uma técnica espelhada. O problema desse método é que os bordões, geralmente tocados pelo polegar precisam ser tocados pelo indicador. Outros, como Jimi Hendrix fazem o encordoamento invertido em uma guitarra normal. Embora funcional, esse método pode levar a pequenas falhas de afinação. Estilos como o blues, o rock e o folk, que utilizam muitos bends e vibratos não sofrem tanto com esses problemas de afinação, mas para a execução erudita com as mãos trocadas é essencial utilizar um instrumento especialmente construído para canhotos.

Afinação

Muitas afinações diferentes são possíveis dependendo da variedade do instrumento. A mais comum para instrumentos de 6 cordas é a “afinação padrão” Mí, Sí, Sól, Ré, Lá e Mí novamente,(EBGDAE). Note que a guitarra é um instrumento transpositor. As notas soam uma oitava abaixo do que são escritas. As notas abaixo correspondem à nota produzida pela corda solta:

  • Sexta corda (a mais grave a que fica acima de todas as outras): Mi bordão (uma décima terceira menor abaixo do Dó central — aprox. 82.4 Hz)
  • Quinta corda: Lá (uma décima menor abaixo do Dó central — aprox. 110 Hz)
  • Quarta corda: Ré (uma sétima menor abaixo do Dó central — aprox. 146.8 Hz)
  • Terceira corda: Sol (uma quinta justa abaixo do Dó central — aprox. 196.0 Hz)
  • Segunda corda: Si (uma segunda menor abaixo do Dó central — aprox. 246.92 Hz)
  • Primeira corda (a mais aguda): Mi (uma terça maior acima do Dó central — aprox. 329.6 Hz)

A afinação padrão permite um dedilhado simples para a maioria dos acordes e também a execução de escalas com o mínimo de movimentos de mão esquerda.

As guitarras acústicas possuem um corpo oco feito em madeira São utilizadas em diversos géneros da música, como o rock, bossa nova, country music, jazz, fado e estilos folk de diversos países. Também há versões específicas para a música clássica e para a música da Espanha (flamenco). Como possuem uma caixa de ressonância, têm potência sonora suficiente para a execução sem amplificação, mas podem ser usados microfones ou captadores quando necessário aumentar a potência sonora. Em geral, esses instrumentos são tocados com as unhas ou palhetas e valoriza-se seu timbre natural sem distorções elétricas.

Guitarra elétrica

guitarra elétrica 2

Esta, como dito, é uma versão elétrica da guitarra, porém, com braço maior e de maior alcance, e com maior número de trastes (geralmente entre 20 e 27). Guitarras elétricas podem possuir caixa de ressonância. Neste caso são chamadas de guitarras eletroacústicas. Neste caso, os captadores são instalados dentro da boca. Uma vez que o instrumento é amplificado, as guitarras elétricas não necessitam realmente da caixa de ressonância, por isso atualmente elas são construídas em um bloco maciço de madeira ou diversos tipos de plástico.

As partes eletrônicas e demais acessórios são instaladas em cavidades do corpo. Esta montagem tem ainda a vantagem de permitir uma maior resistência à tração ao conjunto, fundamental quando são utilizadas cordas de aço muito tensionadas. As guitarras elétricas são utilizadas principalmente no rock e metal mas também são frequentes no blues, jazz e música pop. Devido à tensão das cordas de aço usadas nesses instrumentos, a execução mais frequente é com palhetas e diversos efeitos eletrônicos podem ser aplicados durante a amplificação.

Baixo

baixo

Instrumento semelhante a uma guitarra elétrica, maior em tamanho e com um som mais grave. Descende do Contrabaixo que tem suas origens no século XVII. Costuma ter quatro cordas de aço, todas do tipo bordão, mas podem ser montados também com mais cordas. O corpo é feito de madeira maciça, em formatos semelhantes às guitarras elétricas e já possui captadores instalados sob as cordas.

O braço é mais longo e largo que o de qualquer outra guitarra. A maior parte dos baixos possui trastes que o tornam um instrumento temperado, mas também há versões sem trastes (fretless), inspiradas no contrabaixo acústico. Usado em praticamente todos os estilos musicais populares, o baixo costuma ser tocado com os dedos com técnica semelhante ao pizzicato dos instrumentos com arco. Palhetas também podem ser usadas com menos frequência. Contrabaixo é um instrumento de timbres graves.